Voltar
Pessoas

Qual é o futuro da nação?

Inteligência Artificial, robôs, processos automatizados, carros autônomos... o que antes era ficção científica, hoje é realidade.

Inteligência Artificial, robôs, processos automatizados, carros autônomos... o que antes era ficção científica, hoje é realidade. O avanço tecnológico molda não apenas nossa forma de viver, mas também o comportamento de uma geração inteira.

Renato Russo, em sua icônica música "Geração Coca-Cola", dizia: "Somos o futuro da nação". Mas, afinal, qual é o futuro da nação hoje?

Vivemos na era dos influencers, das redes sociais, dos limites entre o que pode ou não pode ser dito, feito, compartilhado. Mas a pergunta que fica é: quem são as pessoas por trás das telas? Ainda existimos enquanto sujeitos ou estamos nos tornando apenas avatares digitais, reféns do carregador de celular, nossa nova

"coleira"?

Essa nova geração, que cresceu com um smartphone nas mãos, questiona o modelo tradicional de trabalho.

Para muitos, a CLT parece coisa de gerações passadas.

O desejo é empreender, ser dono do próprio negócio, ter liberdade. Mas será que eles estão preparados para isso?

Segundo dados do Sebrae (2023), mais de 50% dos jovens brasileiros querem empreender, mas muitos não possuem o preparo emocional, técnico e estrutural para sustentar um negócio a longo prazo. Buscam autonomia, mas também enfrentam um mercado que exige cada vez mais qualificação e adaptabilidade.

De um lado, há empresas que ainda operam sob modelos rígidos, pouco inclusivos e com baixa escuta ativa. De outro, jovens que se sentem desmotivados, ansiosos e sem perspectiva. O problema é o mercado? são os jovens? Ou será que estamos todos precisando olhar para uma transformação mais profunda?

Como Psicanalista, observo diariamente os reflexos emocionais desse cenário. O que chamo de "Geração que não é mais Coca-Cola" apresenta sintomas cada vez mais comuns:

•⁠ ⁠Nomofobia

•⁠ ⁠Síndrome do toque fantasma

•⁠ ⁠Tendinites digitais

•⁠ ⁠Desumanização das relações.

Esses sintomas não são apenas individuais eles afetam o desempenho nas empresas, nos relacionamentos, nos projetos pessoais. E não, a tecnologia não é a vilã da história.

A questão é: estamos usando a tecnologia ou estamos sendo usados por ela?

Não se trata de voltar ao passado ou demonizar o presente. Trata-se de resgatar valores essenciais: escuta, empatia, vínculo, presença, propósito.

Humanizar os processos pessoais e corporativos é um passo urgente para construirmos um futuro sustentável, emocionalmente saudável e profissionalmente produtivo.

Empresas que investem em saúde emocional, que entendem as novas subjetividades e que oferecem suporte ao desenvolvimento humano, são justamente as que estão liderando movimentos de inovação e retenção de talentos.

O futuro da nação está nos dados? Está na tecnologia? Talvez sim.

Mas antes de tudo, ele está nas pessoas. E pessoas precisam ser vistas, escutadas e cuidadas.

Compartilhar:
Mais do nosso Blog